Grupo Quintessência
O treinamento não ensina como atuar e nem separa alguém de sua criação, ou indica a única forma de fazer teatro. O treinamento é um processo de descoberta de si mesmo, um processo de auto-disciplina manifestado indissoluvelmente por meio de reações físicas. Não é o exercício por si o que conta – por exemplo, formas de desequilíbrios ou saltos mortais – mas a justificativa individual para o trabalho, uma justificação que, embora seja talvez banal ou difícil de explicar por palavras, é fisiologicamente perceptível e evidente para o observador. Esta abordagem, qual seja a da justificativa pessoal, decide o sentido do treinamento, a superação de determinados exercícios que são, em realidade, estereótipos dos movimentos de ginástica.
Tal necessidade interna determina a qualidade da energia deflagradora de um trabalho sem pausas, sem cansaço perceptível, continuado mesmo quando exausto e no momento certo indo à frente sem rendição. É a respeito desta auto-disciplina que falo (BARBA, 1972:47).
Minhas experiências com o treinamento no judô me fizeram perceber que os exercícios não eram apenas ginásticos, mas algo inerente ao meu ser, exercitar não para reproduzir, mas para reinventar e criar mecanismos eficazes para um melhor desempenho de minha performance de atleta em minhas lutas.
Dentro dos princípios da Antropologia Teatral que são: energia, equilíbrio, corpo dilatado, equivalência, oposição, o caráter pré-expressivo foi ratificado que o treinamento é eficaz. Chego ao ponto central da minha pesquisa que é o treinamento do ator, este, visto como prática contínua, independente de montagem de espetáculo.
Necessitava por em prática esse treinamento não tão somente com alguns atores/bailarinos, mas comigo também, então comecei o treinamento com um núcleo de pesquisa em Artes que eu montei para vivenciar esse treinamento, denominado Quintessência, composto por:
Silvia Luz, elemento AR do grupo Quintessência, faixa preta de Judô pela Confederação Brasileira de Judô e aluna de Mestrado em Artes da UFPA.
Mailson Soares, elemento TERRA do grupo Quintessência, tem formação técnica em ator pela ETDUFPA e é aluno do Curso de Licenciatura em Francês na UFPA.
Patrícia Almeida, elemento FOGO do grupo Quintessência, é arquiteta, professora de Yoga e atriz com experiência pelo grupo de teatro da Unipop e com Formação de ator pela ETDUFA.
Brida Carvalho, elemento ÁGUA do grupo Quintessência, tem formação técnica em ator pela ETDUFPA e é aluna do Curso de Artes Visuais na UFPA.
O treinamento pré-expressivo com o judô tem a proposta de o ator/bailarino construir o seu kata pessoal. A palavra kata significa: forma, cerimonia, espetáculo, dança, ritual, celebração, exercícios exatamente predeterminados para demonstração , demonstração obrigatória = característica representativa da luta marcial, com base nesse conceito retirado do dicionário de termos técnico de judô de Herbert Velte, me apropriei da palavra e criei a expressão Kata Pessoal, onde o ator/bailarino criará suas partituras partindo dos princípios do kata do judô, é um processo onde esse ator/bailarino constrói uma pré-forma para aperfeiçoar seu treinamento individual. Silvia Luz
Brida Carvalho
Por Silvia Luz


muito legal a sua pesquisa silvia.vocês estão pensando em montar alguma coisa baseado nos principios da sua metodologia?
ResponderExcluirOlá Heider, desculpe a demora, respondendo sua pergunta,sim. Nosso treinamento chegou a um momento tão importante,o corpo treinado do ator. A banca de qualificação sugeriu uma apresentação pública, portanto montaremos a mesma, ainda não temos nada fechado. Gostaria muito que você assistisse...um grande beijo Silvia Luz
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