Treinamento com o judô na preparação paicofísica do ator/bailarino.

terça-feira, 9 de novembro de 2021

 Encontro-me em processo de doutoramento e fui qualificada em setembro de 2021. Compartilho com vocês rastros da pesquisa em andamento. O doutorado dá sequência a minha pesquisa de Mestrado realizada no ano de 2010/2012. O título da tese segue abaixo.

KATA PESSOAL:

uma metodologia dialética entre o treinamento psicofísico e a criação cênica

RESUMO

O escrevinhar desta pesquisa tem por objetivo apresentar um método que dialogue com o treinamento psicofísico com o judô, intitulado Kata Pessoal e a criação cênica. A pesquisa partiu de uma experiência prática e reflexões teóricas acionadas a fim de constatar quais contribuições o treinamento oferece ao processo criativo de uma obra cênica, no atuante de teatro. No qual se busca uma poética própria da atuante, uma forma de pensar e organizar a dramaturgia e a encenação a partir da investigação do Kata pessoal – um treinamento psicofísico sistematizado com base na luta marcial japonesa - Judô. O Kata Pessoal foi dividido inicialmente em duas fases articuladas dialeticamente: a fase do treinamento psicofísico com o judô e do processo criativo – obra cênica. Este treinamento segue pari passu as etapas metodológicas do treinamento Kata Pessoal, da seguinte forma: 1- Fase – Treinamento psicofísico com o Judô (etapa ininterrupta), ateliês e laboratórios de criação; 2- Processo Criativo – Obra cênica – ensaios e apresentações públicas da obra cênica. A pesquisa caminha para a confluência dialética do treinamento psicofísico e da atuante durante o processo criativo. A genealogia do treinamento psicofísico Kata Pessoal encontra-se aportado e diretamente ligado aos estudos prático-teóricos do treinamento psicofísico de atuantes estabelecidas ao longo do século XX e com seus desdobramentos no século XXI. Nesta tradição situam-se as pesquisas e experiências de sete visionários, sendo um do judô e seis do teatro, respectivamente: Jigoro Kano (1860- 1938), fundador do Judô, Constantin Stanislawski (1863-1938) com o Teatro de Arte de Moscou, do polonês Jerzy Grotovisky (1933-1999) e sua pesquisa com o Teatro Laboratório, do italiano Eugênio Barba (1936) e sua condução a frente do Odin Teatret até os dias de hoje, do britânico Peter Brook (1925) e suas propostas de treinamento intercultural com atuantes de várias nacionalidades diferentes, Phillip B. Zarrilli (1947- 2020) com o treinamento com artes marciais e meditativas e Luís Otávio Burnier (1956-1995) com o treinamento desenvolvido no Lume Teatro. O treinamento psicofísico por ter um grande alcance nos campos de pesquisas, ele carrega, por vezes, ambiguidades e equívocos, especialmente quando é deslocado de seu contexto original ou tratado como um modelo fechado de investigação no fazer teatral. Neste sentido, esta pesquisa contextualiza, histórica e conceitualmente, uma prática de treinamento psicofísico, construído a partir da sistematização do treinamento Kata Pessoal, dentro de um processo de criação protagonizado pela própria artista marcial-pesquisadora, pontuando quais referências teóricos a sustentam e de que maneira os procedimentos acionados em cada etapa de trabalho influenciam a composição dramatúrgica e a encenação desse solo-espetáculo, que está sendo construído pela pesquisadora, em questão. Somado a isso, está presente a reflexão sobre como o Kata pessoal pode fomentar a postura ética, a autonomia da atuante e a potencialização da atuante. A escrita movente desta tese é provocada pelo cotejo que mantenho com: (OHNO, 2016), (BARBA,2009), (BURNIER, 2009), (VARLEY, 2010), (CARRERI, 2011), (ARTAUD, 2006), (ZARRILI, 1993), (LIMA, 2005), (PINHEIRO, 2012), (ESTÉS,1996), (GENETTE 1930-2018), (DOUBROVSKY,1928-2017), (FERRAÇO, 2002), (DELEUZE E GUATARRI, 2011), (BARTHES, 1990), (MERLEAU PONTY,1908-1961), CALVINO (1923-1985), dentre outros.

 

Palavras-chave: Kata Pessoal. Treinamento Psicofísico. Atuação psicofísica. Processo de criação.

 

TREINAMENTO PSICOFÍSICO PARTINDO DA EXECUÇÃO DO HAPPO KUZUSHI (Desequilíbrar em oito direções)













 Obs.: As fotos foram tiradas por mim.

                         Rastros..... caderno de delírios (CD)

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

KATA PESSOAL - Doutorado

Olá boa noite!!!

Passando para dizer que nosso blog voltará com força total, agora com a pesquisa intitulada - Kata Pessoal: uma metodologia dialética entre o treinamento psicofísico e a criação cênica. Fui aprovada no Doutorado em Artes pelo PPGARTES - ICA- UFPA.

sábado, 14 de janeiro de 2017

GITA



Retorno

Olá pessoal!!!
Depois de um bom tempo sem postar sobre treinamento psicofísico, volto com força total. Estou de volta ao Grupo GITA (Grupo de Investigação do Treinamento Psicofísico de Atuantes) na montagem de um clássico de Shakespeare, Rei Lear.
Aproveitarei o blog para ser meu Caderno de Delírios, onde prometo delirar na escrita de meu processo criativo. Iniciei no dia 9/01/2017 participando da oficina de treinamento para novos atuantes do grupo.
A montagem do espetáculo se dará por meio de construção de solos. Um desafio assustador.

Até breve.

Por Silvia Luz

terça-feira, 29 de março de 2016

Colher os frutos

Silvia Luz e Adriana Brum



Silvia Luz, Kátia Sombra e Rosângela Ribeiro

No ano passado uma jovem ligou para o meu trabalho desejando conversar comigo sobre a minha dissertação de mestrado. Confesso que fiquei curiosa, mas feliz. A jovem Adriana Brum mora no Paraná e disse que viria até Belém me entrevistar, para conversarmos sobre a arte marcial japonesa Judô.     Ela queria entrevistar mulheres judocas paraenses, pois sua Dissertação fala sobre história do Judô brasileiro a partir de narrativas de Mulheres Judocas.
Depois de conversarmos por telefone, Adriana marcou as passagens e veio até o Dojô do CEFET (antiga Escola Técnica) para entrevistar as judocas paraenses: Silvia Luz, Kátia Sombra e Rosângela Ribeiro.
Foi um encontro muito prazeroso, pois vestir o judogui para mim é sempre uma honra. Obrigada Adriana e sucesso em sua jornada e volte para fazermos um Handori juntas. 
Segue o email que a pesquisadora me enviou, depois da dissertação defendida.

Olá, 
Sou Adriana Brum e, espero que esteja lembrada, no segundo semestre do ano passado, você me concedeu uma entrevista sobre sua história no judô. A partir de seu relato e do relato de outras mulheres judocas, escrevi a minha dissertação de mestrado, a qual lhe sou muito grata. 

Encaminho em anexo o texto que foi avaliado e aprovado por banca avaliadora em 26 de fevereiro e o qual estou fazendo os ajustes finais para , para sua apreciação, afinal ,você teve parte ativa na produção desse texto. Caso tenha alguma consideração sobre alguma de suas falas, estou a disposição para retorno. 

Agradeço, mais uma vez, por sua preciosa (sem exageros) contribuição. 

Grande abraço ! 
Adriana Brum 
Jornalista

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

LENDA DA CEREJEIRA

LENDA DA CEREJEIRA
Nesta época do ano, as cerejas fazem a sua aparição nas lojas e supermercados, anunciando com as suas cores quentes e garridas que já estamos no Verão. Vou, por isso, contar-vos a lenda da cerejeira, uma árvore muito apreciada no Japão e, em particular, pelos samurais.
Japanese cherry tree
Cerejeira do Japão no Jardim Botânico de Genebra
Segundo essa lenda, vivia há muitos anos em Iyo um samurai muito velho; tão velho que já nem tinha família nem amigos vivos. O único ser a que ainda podia dedicar o seu amor era uma velha cerejeira que os seus antepassados tinham plantado e à sombra da qual o velho samurai tinha brincado enquanto criança. A mesma árvora em cujos ramos os membros da sua família tinham pendurado, durante gerações e gerações, pequenos pedaços de papel onde haviam escrito belos poemas de louvor à velha árvore.
Mas um dia, ó tristeza, a velha cerejeira começou a definhar e depois morreu. Os vizinhos do samurai vieram plantar uma nova cerejeira, mas para o velho samurai a morte da árvora era um sinal de que a sua vida também estava a chegar ao fim.
Então, dirigiu-se à cerejeira cujo tronco ainda se erguia altaneiro no meio do jardim familiar e fez um último desejo: a cerejeira deveria florir ainda uma última vez. E o velho samurai prometeu que se o seu desejo fosse realizado, esse seria o momento para ele próprio morrer também. A velha cerejeira voltou a dar flor, embora fosse Inverno, e ali mesmo sob os seus ramos o velho samurai cometeu harakiri. O sangue ensopou o chão e chegou às raízes da velha cerejeira, e ela floriu uma vez mais.
Segundo ainda a lenda, desde esse dia a velha cerejeira dá flor todos os anos pelo aniversário da morte do samurai. Dizem que é no sexto dia do primeiro mês do ano, bem mesmo no coração do Inverno.
Havia uma cerejeira no jardim da antiga casa dos meus pais que dava tanto fruto que tínhamos de pôr suportes para aguentar com o peso dos ramos. Pergunto-me se a árvore ainda existe...
© Dulce Rodrigues

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Retorno

Olá pessoal!!!

Depois de algum tempo retorno com as atividades do blog, que traz como foco o treinamento psicofísico para atores de teatro. Aguardem!!!

Por Silvia Luz